sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Festa brava por Nuno Azinheira em DN

Não gosto de touradas. Não gosto do conceito, não gosto do espectáculo, não gosto do ambiente que a rodeia. Tenham paciência, mas não gosto. Tenho bons amigos que não perdem uma, que me falam da nobreza do momento, que me tentam convencer da beleza daquele mano-a-mano entre um homem, só na arena, e o bicho. Agradeço o esforço, mas não me tentem converter. Há coisas que não se aprende a gostar. Ou se gosta, ou não. Cada um gosta do que gosta: eles gostam, eu não. Ponto.


Como é fácil de perceber, as transmissões de touradas na TV são um momento feliz para eu fazer zapping. Eu e centenas de milhar de espectadores. Ainda no sábado, a TVI lá substituiu um episódio de novela, que habitualmente chama mais de um milhão de almas à estação, pela Grande Corrida da Figueira da Foz. A audiência não foi além dos 625 mil espectadores.

Não percebo esta insistência. As nove touradas já exibidas esta temporada na televisão portuguesa, seis na RTP1 e três na TVI, não foram além dos 650 mil espectadores cada uma. Ou seja, o espectáculo não é claramente do agrado da maioria dos portugueses, embora a televisão insista em achar que é.

Não, não me venham falar do futebol, que também não é um género que reúne consensos: um jogo normal de competição chega a um milhão de espectadores, um jogo do Benfica chega a 1,2 milhões. E um jogo decisivo, seja do campeonato, seja da Europa ou, sobretudo, da selecção nacional, chega aos dois milhões.

Que a televisão pública, garante da diversidade de gostos, leve a festa brava ao prime time, eu ainda posso perceber. Agora que uma televisão privada perca deliberadamente espectadores em nome da suposta diversificação do seu público, já tenho mais dificuldade em encaixar.

6 comentários:

Anita Garcia disse...

go figure...
Interesses maiores se elevam, decerto, como quase tudo neste País...

Jay - O SRD disse...

Não tenho a menor dúvida, no meio de toda a democracia só se leva a referendo aquilo que nos interessa...

Anita Garcia disse...

Um referendo teria o mesmo resultado que tiveram as assinaturas que foram entregues na Assembleia da República das Bananas, que ultrapassaram em 3000 o número necessário, e às quais os deputados fizeram "ouvidos de mercador"... A vontade do povo já não é mais tida em conta para NADA, a não ser no dia da palhaçada da ida às urnas e nos dias que lhe antecede.

Jay - O SRD disse...

Anita, concordo contigo quando dizes que a opinião do povo não é tida em consideração. Mas também te vou dizer que a culpa não se deve a ninguém que ao próprio povo. Quando é chegada a altura de ir ás urnas fazer uso do nosso direito o povo abdica. Com todas as desculpas possíveis e imaginárias para justificar o que na minha opinião é injustificável. Agora, a abstenção não é uma opinião também? Não é uma demonstração de que nenhuma das opções nos agrada? É sim senhor. Para isso vamos ás urnas e votamos branco. Não comparecer como é usual só demonstra preguiça e indiferença. Portanto, sim é verdade que ninguém nos liga, mas a culpa é toda nossa...

Anita Garcia disse...

Tens toda a razão! Eu referia-me precisamente o números dos votos em branco e não a quem não vai votar porque, "incompreensivelmente", as eleições são sempre a um qualquer Domingo de Verão... Noutros países fazem eleições aos dias de trabalho... Não há desculpa para os que não votam e depois queixam-se dos que vão para lá e ainda justificam que não foram eles que os elegeram "porque eu até nem fui votar, em sinal de protesto!". É isso! Continuem. Inscrevam-se depois nos sindicatos que eles tratam de tudo...
É o País que a maior parte dos portugueses, infelizmente, merece.

Jay - O SRD disse...

Dá aqui um salto
http://jayosrd.blogspot.com/2011/01/presidenciais-2011.html
Acho que é disto que estamos a falar, certo?
:)