terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Bolachas de baunilha

Ora então um bom 2014 para todos.
Estamos de volta à blogosfera. Não fazia intenções de voltar e não sei por quanto tempo cá estarei mas de acordo com os entendidos há que viver o momento e o momento é agora. E agora é o momento de discutir assuntos de extrema importância para o país. É o momento de perder o medo e esmiúçar o que há que há para esmiúçar, destrinçar o que precisa de ser destrinçado e deslindar o que carece de deslindamento! O país precisa de nós e por isso cá estou para discutir sem rodeios o que acho que carece de discussão. E para começar em força, vamos falar de bolachas de baunilha.


Parto do principio que todos sabem o que é uma bolacha de baunilha. Se não sabem não vale a pena ir à Wickipédia procurar pois eu já fui e só encontrei bolacha Maria.
O que provavelmente não sabem é que uma pequena bolacha de baunilha pode ser objecto de profunda experimentação científica e estar na base da compreensão do funcionamento do cérebro humano, nomeadamente o tronco cerebral* tão bem ou melhor que um macaco, como prova o estudo que hoje levei a cabo e cujos bolsistas Portugueses deviam pôr os olhos, dado o reduzido custo (1,48€) e elevado resultado prático que ciências à parte, me deixou bastante atordido e triste.
O estudo prova que se pode gostar muito de algo e levar uma vida em função dessa convicção sem que se perceba que não passa de ilusão e que na realidade não se gosta, ou em casos extremos como o da bolacha de baunilha, se detesta.
Percebam que isto não é um manifesto ou protesto. Não desejo qualquer mal às bolachas de baunilha. Não pretendo incitar-vos de forma alguma a que depois de lerem este texto se levantem da cadeira e vão pela rua fora semeando o pânico e pilhando tudo quanto tenha bolachas de baunilha na montra. Não!
Pretendo apenas demonstrar a íntima relação que existe entre a bolacha de baunilha e a relação interpessoal do ser humano.

Hoje ao fim da tarde, sob um muy pôco aprasível cenário indústrial em que nem os raios que o partam do sol entram janela a dentro revelando haver vida lá fora e no fundo esperança, deu-me fome.
A máquina de vending que no tempo das vacas gordas que entretanto foram despedidas pois falavam mal da mulher do patrão, explodia em variedade de escolha qual cornocópia encantada, hoje tinha apenas o quê? Digam lá - Bolachas de baunilha!
Eu não sei se isto acontece convosco mas acontece comigo. Começando a comer bolachas de baunilha eu saio de mim por momentos perdendo o controle motor sobre o meu corpo e enquanto as bolachas não acabam eu não consigo parar, qual telefone público a ligar para o Brasil.
"Eu já não tenho fome e vou comer apenas mais uma bolacha só para recordação futura."
É este o pensamento que religiosamente repito a cada nova bolacha que degluto.
Hoje que aparentemente estava particularmente frágil emocionalmente (não vejo outra justificação) enquanto comia as bolachas de baunilha, ao fim do segundo pacote de 250gr. percebi o quão errado estava durante anos. Percebi que vivia numa espécie de Matrix pasteleiro e afinal as bolachas de baunilha são enjoativas e que eu detesto bolachas de baunilha!

Se analisarmos a questão sob o ponto de vista genético, pode concluir-se que deve ser isto que sentem os velhinhos quando olham para as velhinhas que aos vinte chamaram carinho, aos quarenta chamaram minha querida, aos sessenta chamaram Ó Maria! e agora chamam quando precisam de trocar a fralda.
Há excepções à regra como Hugh Hefner que alterna constantemente os sabores das bolachas comendo por vezes (pelo que se diz) vários sabores dia após dia, bolacha após bolacha, pacote após pacote evitando deste modo o enjôo.
Dizem as revistas cor-de-rosa que Hefner já só consegue comer oreos (molhar, abrir e lamber) mas eu não acredito. Heff rules!!!

* Parte do cérebro responsável pelas reacções emocionais como o gostar e o não gostar.

P.S. - Antes que comecem a tirar elações por conta própria aviso desde já que apenas queria dizer que hoje comi bolachas de baunilha até rebentar, mas isso por si só não dava um post, dava?



4 comentários:

Sara Ferreira disse...

Até que enfim que voltas-te, as minhas voltas pela blogosfera já não faziam sentido. Folgo em saber que voltas igualzinho, claro que só a fome te moveu!

JS disse...

Bolachas de baunilha, agora rebatizadas de Wafers, talvez porque os sabores tão variados fizeram das bolachas de baunilha mais do que meras "bolachas de baunilha".
Já que aqui estou, não quero deixar passar a oportunidade de deixar o modo particular de comer bolachas de baunilha, que aprendi quando a televisão era a preto e branco e se via num café, onde era de bom tom fazer algum consumo e como eu ainda era novo para beber "bicas", ficava-me pelo pacote de bolachas de baunilha que custava o mesmo de uma bica (1$20 + $30 de gorjeta = 1$50) e que fazia render o máximo tempo possível. Porque naquela altura não nos podíamos dar ao luxo de comer pacotes de bolachas de baunilha até enjoar.
Então é assim:
Segura-se a bolacha de baunilha com a ponta dos polegares e indicadores das duas mãos e abre-se a dita cuja ao meio, o que não só nos permite dar umas lambidelas na baunilha, como transforma um pacote de bolachas em dois pacotes de bolachas.
Tem também a vantagem de não aumentar a quantidade de calorias, o que é bom para quem está só a dar uma "facadinha" na dieta. xD

Jay SRD disse...

Bolachas Paupério, certo? :)

Jay SRD disse...

Obrigado Sariu, de volta e cheio de vontade :)