
Chegou o verão!!!
E com ele as praias, a cervejinha na esplanada ao fim do dia, os passeios nocturnos pela fresca, os gelados e as crianças a brincar na rua até tarde. O bronzeado que nos faz bem mais interessantes, e a alegria de acordar com o sol a irromper pela janela mal a abrimos. E os piqueniques, e os passeios de bicicleta pela marginal. Ah e as ruas, essas dos passeios, tão cheias de alegria, e ao mesmo tempo repletas de marcas que provam a merda que nós somos... Ahh, o verão...
Evitei escrever sobre este assunto durante muito tempo por vários motivos, entristece-me muito pensar no mesmo, entristece-me escrever sobre ele, e acima de tudo entristece-me pertencer a uma espécie de cabrões sem sentimentos.
"Se pegares num cão faminto, o alimentares e tratares, ele não te morderá, essa é a principal diferença entre um cão e um homem". (Mark Twain)
Nenhuma outra espécie trai como nós, nós traímos os nossos animais a troco de uma semana de férias, quando estes nos deram uma vida inteira de dedicação incondicional; traímos a companheira de uma vida por uma gaja nova, só porque esta nos deu "aquele olhar" que nos faz sentir Something else. Traímos o nosso país, se enriquecermos com isso; traímos a nossa cultura para nos integrarmos, traímos os nosso princípios para apaziguar o medo e traímo-nos a nós próprios ao pensar que essa merda é vida!
Caminhamos na vida com a idéia que um indivíduo importante é um gestor, um alto quadro de uma empresa pública, um politico ou empresário de sucesso.
Quando conheço alguém, interessa-me saber de onde é, o que faz por diversão, se gosta de animais e actividades ao ar livre. Interessa-me saber de que forma se relaciona, se gosta de cinema e teatro, de ler, de churrascadas e de tertúlias. Não tenho grande interesse em saber o que faz profissionalmente, estou-me a cagar para o sucesso que atingiu na carreira. Interessa-me sim, o sucesso que atingiu na vida pessoal e na vida social. Isso define um indíviduo! E não as pessoas que pisou, as horas que se roubou à família para "ser alguém na empresa". E é nesta levada de prioridades trocadas, de sentimentos descartáveis, de vidas miseráveis, que traímos amigos, família e os mais fracos do rol, os nossos patolas.
"Vou de férias e não tenho com quem o deixar", vou imigrar e não o posso levar comigo", "Ah, não pensei que crescesse tanto", e a minha favorita "Tive um filho e vou ter que dar o cão"... Ide todos à merda para não dizer pior... Dai um tiro na cabeça, porque na realidade, o coração já se finou! Que cabrão desprovido de alma consegue olhar os olhos de um cão, e ainda assim, abandoná-lo? O mesmo cabrão que quando descobre que a mulher tem uma doença grave, a abandona pois dá muito trabalho... O mesmo que desiste de um filho pois este não é o filho de sonho... O mesmo que vira as costas a um pai por uma discussão mais acesa.
Cuidado com esta gente, um indivíduo capaz destes feitos tem sempre uma faca preparada para na primeira oportunidade a cravar nas costas de alguém.
Ficam aqui links para duas opiniões acerca deste assunto, que acho que vale a pena perder uns minutos a ler, a do Sitio dos cães, e a da Badgirl.
E fica também o nº de telefone da GNR, divisão de Protecção da Natureza e ambiente - 808 200 520. Se vir um animal ser abandonado ou mal-tratado, denúncie, não fazer nada é cumplicidade!


